quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Reflexões

 
REFLEXÕES
 
Que a força do medo que tenho não me impeça de ver o que anseio.
Que a morte de tudo que acredito não me tape os ouvidos e a boca. 
Porque metade de mim é o que eu grito, mas a outra metade é silêncio.
 
Que a música que ouço ao longe seja linda, ainda que triste.
Que as pessoas que amo sejam sempre amadas, mesmo que distantes.
Porque metade de mim é partida, e a outra metade é saudade.
 
Que as palavras que eu falo não sejam ouvidas como prece, nem repetidas com fervor, apenas respeitadas como a única coisa que resta a uma mulher inundada de sentimento.
Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo.
 
Que a minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço, que essa tensão que me corroe por dentro seja um dia recompensada.
Porque metade de mim é o que penso, e a outra metade é um vulcão.
 
Que o medo da solidão se afaste, que o convívio comigo mesma se torne ao menos suportável.
Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso que me lembro ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, e a outra metade não sabe.
 
Que não seja preciso mais que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito,
e que o teu silêncio me fale cada vez mais.
Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço.
 
Que a arte me aponte uma resposta mesmo que ela não saiba, e que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer.
Porque metade de mim é plateia, e a outra metade é a canção.
 
E que a minha loucura seja perdoada...
Porque metade de mim é amor, e a outra metade também!
 
Autor desconhecido.
 
 
 
 
 
 


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