domingo, 16 de fevereiro de 2014

Como lidar com doenças imprevistas na família


Como lidar com doenças imprevistas na família
Milene Spinelli

      Doenças graves e inesperadas costumam ser traumáticas para o paciente e seus familiares. A descoberta de um câncer ou a ocorrência de um derrame pode abalar a estrutura familiar. "A dificuldade em lidar com o problema é sempre grande, principalmente se a doença acometer o responsável pelo lar", diz a médica Regina Lúcia Ramos Pinto, pioneira na implantação do sistema de assistência médica domiciliar em São Paulo e diretora da Conte Comigo, empresa especializada no acompanhamento de pessoas com dependência funcional.

      Nesses momentos, é fundamental a presença de alguém que seja, ao mesmo tempo, distante e suficientemente próximo do problema, capaz de apontar caminhos e restabelecer o equilíbrio familiar. Esta pessoa pode ser um amigo íntimo da família ou um profissional. "O importante é evitar reações negativas ou entrar em desespero. Quando possível, o ideal é manter o paciente em casa e interná-lo somente se não houver alternativa. Recorrer a um terapeuta pode ajudar a família a encontrar uma solução para o problema, utilizando tanto recursos financeiros quanto psicológicos. O importante é a estabilidade emocional num momento tão delicado", afirma Graziela Zlotnik Chehaibar, psicóloga e mediadora familiar.
            Para amenizar o sofrimento do paciente é preciso estimular atividades em que ele sinta prazer. Nessas horas, se houver condições, o computador pode ser um aliado. "A internet é uma boa ferramenta, já que estimula a interação. O importante é ajudar o paciente a criar autonomia dentro de seus limites, e fazer tudo o que for possível para que ele se sinta útil. Cuidar do lado social e afetivo pode ajudar no tratamento médico", avalia Regina.   A religião também auxilia na busca pela estabilidade. "A fé não ajuda apenas na conformidade, mas principalmente, em como lidar com a situação", segue a médica.

      Ao lidar com a doença, a família deve buscar novos pontos de equilíbrio. "Não é fácil conciliar os assuntos do dia-a-dia com os cuidados com o doente, principalmente em caso de dependência funcional - ou seja, problemas de locomoção ou falta de autonomia. As famílias estão menores e os horários cada vez mais apertados", afirma Regina. "Se as responsabilidades não forem divididas, é comum que um membro da família se torne o cuidador. E muitas vezes encontramos este cuidador solitário e desgastado emocional e fisicamente, o que acaba por refletir de forma negativa na própria família. Esta pessoa também deve ter seus momentos de lazer e de relaxamento", alerta a médica.



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